segunda-feira, 9 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

Bailinho

Essa semana recebi um convite pra reunir os amigos trintões. A proposta era: meninas levam um prato, meninos levam a bebida. Estilo os velhos e bons bailinhos de garagem. Divertidíssima, a idéia. Não fui e me arrependi.

Ontem, resolvi botar o DVD do George Michael pra ser tema da faxina (sim, eu adoro George Michael, assumo!). Ô, banzo! Dancei com a vassoura, cantei a plenos pulmões. Me diverti sozinha.

E acabei me lembrando de uma paixonite adolescente. Corta pra um momento "mágico" em um bailinho (óbvio, na toca do Recrê) e organizado pela turma da 8a. série (me diverte lembrar desse tempo bobo e gostoso). Um dia em que um amor desses que a gente pensa (por 1 mês) que vai morrer por ele, foi inocentemente vivido. Foi mágico e curto. Like a vanish in the haze.

Vai aqui a canção-tema daquela dança. "One More Try" de rosto colado.
Pra você se divertir também, lembrando dos tempos em que sequer imaginava onde chegaria com essa sua vida.

De bobagens e reminiscências tantas é que se faz uma história, afinal. Enjoy!



P.S. Sim, ando muito reminiscente... E me divirto MUITO com isso.

sábado, 7 de março de 2009

Deus me livre de ser super

Voltando da aula na FAV ontem, onze da noite, passaram por mim muitas vans com adesivos PUCC/UNICAMP. Voltei no tempo. O cheiro tentador de bolacha de chocolate da Triunfo na Dom Pedro ajudou. Sem querer, era 93 de novo. Fui lá e nem doeu.

A sopinha-de-caneca-fim-de-noite tá esfriando. Saudade dos sandubas pós-PUCC que eu mesma fazia na cozinha da Vó Tereza pra comer vendo tevê aberta (era só que havia, até então) no volume mínimo. Um tempo em que acordar a casa depois da meia-noite era sacrilégio.

A cozinha é minha, hoje. Vou aqui internetando, pouco lendo, pouco ouvindo o som da tevê ligada, muito divagando. Ninguém pra proteger do meu barulho. Nem desse silêncio que fala sem parar aqui dentro.

Quase ouvi (deve ser saudade) a mãe dizendo "Vai pra cama, menina! Amanhã você madruga!". Eu mesma me digo, e nunca me obedeço: "Já vou!" Vou nada, que sou notívaga feito um morcego.

Eu adoro a minha bagunça, minhas pequenas irresponsabilidades, meu comer errado, meu dormir pouco, a pilha de livros todos começados, meus DVDs não vistos voltando pra locadora. Confesso que às vezes me incomoda um pouco bater os olhos na confusão. Graças que quase sempre eu me ajeito. Em um dia ou outro, de cansaço, banzo e um tiquinho de problema pequeno pra transformar em monstrengo (sim, eu levo um jeito danado pra dar importância ao que quase nunca tem), acabo por dar conta, não. Mas daí me lembro que auto-suficiência é um troço bem chato, afinal. Sem essa de querer ser super.

Domingo ta quase aí. Dia de ir lá e matar a saudade dos meus véios, ganhar colo, falar da vida e fazer carinho. Abastecer o coração de amor e depois voltar pro meu mundinho. Encarar a semana, matar os tais monstros gigantes com leve pisadela, criar novos, ir adiante.

Quem não bagunça a vida pra arrumar tudo depois que atire o primeiro travesseiro esquecido na sala, o pé de meia desparceirado ou a caneca suja de sopa instantânea que só vai ser lavada amanhã.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Por acaso? Nada é.

Nada como ir ao encontro dos amigos, celebrar com eles o bom que há, falar da vida, trocar dicas, jogar conversa fora.

Fabião e Lu acabam de voltar de Cuba e me levaram pra lá com eles. Jantamos, brindamos, falamos sem parar (como sempre).

Voltei pra casa com 2 DVDs indicados pra ver, cortesia dos queridos. Muitas imagens de Havana na memória. E a vontade de um dia tomar um mojito igualzinho ao de Hemingway, conhecer Varadero e explorar contrastes (em Cuba ou em qualquer outro lugar deste mundo pequeno que pode estar a uma idéia, um passo, umas economias aqui e ali).

Viajar. Os amigos não são por acaso. Muito menos as inspirações. Pé na estrada, que neste 2009 ainda rodarei. Acompanhada de gente boa. Não por acaso. Nunca, aliás.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Léia e o imponderável

Magrinha. Pequena. E um poço de doçura daqueles de vó gordona, sabe? Léia era assim. Evangélica, não se negava a discutir certos dogmas. Até sobre as posturas do Papa chegamos a falar (bem informada, nunca se furtou a conversar sobre o que quer que fosse). Gostava muito de ouvir, também. Mas sua voz fininha dizia sempre (e sem parar) coisas muito essenciais e simples (as primeiras que esquecemos, costumeiramente).

Quase todo sábado ela dava plantão aqui em casa. Organizava a minha vida, a do Marcelo e a da cachorrada com maestria. Fugia da Freak, a salsicha esquentada, que cismava sempre em dar o bote em suas canelinhas finas. Era o dia inteiro ouvindo: Freak, é a Léia, Freak! Morde a Léia, não! Me divertia, a doce Léia. Uma figura.

Dadas as mudanças todas na vida e ao caos instaurado, deixei de ligar pra Léia vir botar ordem nessa minha pequena confusão por um bom tempo.

Sexta passada (com as coisas todas quase nos seus devidos lugares) toquei o celular de Léia dia todo. Ouvi sua mensagem na caixa postal. Deixei recado. Ela, que sabia usar os recursos do celular bem melhor do que eu, era sempre rápida na reposta, via ligação ou SMS. Dessa vez, nem sinal.

Hoje me encontrei nos corredores com a colega que havia me indicado Léia pro trabalho. Regina me perguntou, assustada: "Você não soube, não?" Gelei. "Léia se matou." Assim, à queima roupa, sem nem o eufemismo do "suicidou-se".

Fiquei chocada. Regina explicou que ela travava uma batalha imensa contra a depressão, que não aceitava a ajuda nem dos irmãos de Igreja. Que todos tentaram, mas nada pôde ser feito. Meu Deus.

Enfim. Perdi o ar, dia todo. Ainda o perco aqui.

Guardo a toalhinha de mão que ela bordou caprichosamente com meu nome. Mamãe, que quando viu a minha gostou, também foi agraciada com o talento da querida com linhas e agulhas. Ela gostava de agradar. Só queria sentir-se bem-vinda. Coisa que a vida difícil sempre lhe negou. Léia não tinha família, sofreu eras sob o comando dos rígidos pais adotivos. Morava só. Ela, sua bicicleta, suas saias longas e seu coque preso à nuca. Era solteira, mas sonhava em viver um grande amor. Queria muito ter um cachorro, mas a dona da casa em que vivia lhe negou esse privilégio.

Me pus a pensar se poderia ter feito algo de diferente. Tento, ainda agora, refletir sobre o imponderável. Sobre o que não nos cabe (ou adianta) qualquer intervenção. Será?

Agradeço a Léia por ter dedicado a mim e a essa casa tanto da alegria que lhe faltava. Eu sinto tê-la perdido do meu convívio. Vão ficar na minha lembrança a sua honestidade em pedir pra levar pra casa as acerolas do pé que jorrava frutas sobre o quintal, sua meiguice, seu capricho com o trabalho, sua inteligência, brinde da vida.

Que coisa, meu Deus.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Signs

Dizem que é um viral da Schwepps. Um filme bem feitinho, engraçado e doce na medida. Pra inspirar a gente a curtir a janela. A sair dela, dia desses. E ir pra vida.



Indicação de Mara, menina dos Espacejamentos e pontos de exclamação.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Got milk?

Gosto de ir ver filme sem recomendação, sem ler a crítica, sem ouvir os amigos que insistem (na melhor das intenções) em exaltar as qualidades de qualquer tipo de arte que lhes tenha caído à perfeição. É que, apaixonados, eles se esquecem que possa não ser bem o meu número. Subjetividade, hã? Pressuposto número um. Dia desses divaguei sobre o tema com um recente e surpreendente novo amigo e compartilhamos opinião. Foi libertador.

Mas contrariando a regra de não recomendar um filme, livro, peça ou disco pra não alimentar o monstrengo chato das expectativas, vou falar de Milk. O Oscar de melhor ator pra Sean Penn me libera pra ser a propagandista de plantão, ora pois.

Milk é uma história excelente contada de maneira excelente. Um registro histórico e bem documentado, conduzido por Gus Van Sant, (acreditem-me) excepcional biógrafo cinematográfico. Há um equilíbrio entre os nacos de história e romance que prendem do início ao fim. Ao final do filme não resta nenhuma falhazinha de entendimento sequer. E nem de emoção. Eu quase gritei feliz em uma das vitórias de Milk, confesso. Senti no cinema inteiro a mesma a vontade de assoviar e aplaudir o sucesso de Harvey Milk de pé.

Sean Penn está magnífico. Não faz uma caricatura: faz uma grande figura (com o perdão da rima pobre e desproposital). Certo que a riqueza do personagem é prato cheio, mas a delicadeza de entender o universo de um homossexual como ele fez, sem cair no exagero e tornando digno cada passo de Milk (com seus excessos, seu carisma e sua inteligência), é assustadora. Seus discursos convencem, sua verve política magnetiza, sua devoção pela causa ganha adeptos. A gente esquece que é Sean Penn que está ali, com sua figura forte por natureza. E analisando por aí, não haveria mesmo ninguém melhor pra representar um ícone de coragem como Milk.

O elenco todo, aliás, está excepcional. James Franco, Emile Hirsch (destaque pra ele)... sensíveis, belos e humanos. Que sejam sempre tão bem dirigidos, esses meninos promissores. Que tenham mais oportunidades de contar grandes histórias com tanta verdade.

Bom também assistir os meandros da política de um ângulo privilegiado. Bom conhecer uma história inspiradora, grande, um momento histórico pouco divulgado. Sob uma ótica que não julga, vale ressaltar. E que o cinema nos brinde mais vezes com trabalhos documentais, importantes e delicadamente filmados como esse

Sean Penn pode tudo. Até superar essa interpretação. Não duvido de nada que venha dele. Ganhou meu Oscar de ator favorito. Next surprise, please, Mr. Penn?



Em tempo: Que esse postzinho da pseudo-crítica de cinema não te frustre. Não me levem a sério. Ever.